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Lutador de MMA é condenado a 12 anos e 10 meses pela morte da influenciadora Paola Brattcho

Por diogenesbrandao • 27/06/2026 às 09:40 • 5 min

Após cerca de 14 horas de julgamento, o Tribunal do Júri de Ananindeua condenou, na noite desta sexta-feira (26), o lutador de MMA Yago Roger Barreira da Costa pela morte da influenciadora digital Paola Brattcho. Por maioria de votos, o Conselho de Sentença desclassificou a acusação de feminicídio para homicídio simples. A juíza fixou a pena em 12 anos, 10 meses e 8 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado, e determinou a execução imediata da condenação, negando ao réu o direito de recorrer em liberdade.

Julgamento durou cerca de 14 horas

A sessão começou por volta das 9h30 e se estendeu até quase meia-noite. Ao longo do julgamento, foram ouvidas testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, além de testemunhas convocadas pelo Juízo. Entre elas estavam o policial militar que atendeu à ocorrência e a irmã de Paola Brattcho.

Ao longo dos debates, a defesa sustentou que o crime ocorreu após um desentendimento entre acusado e vítima motivado pelo não pagamento de um programa. Segundo os advogados, a morte não teve relação com a identidade de gênero de Paola e, por isso, não deveria ser reconhecida como feminicídio.

Antes da leitura da sentença, os jurados decidiram, por maioria de votos, acolher a tese da defesa para desclassificar a acusação de feminicídio para homicídio simples.

Como a pena foi definida

A magistrada explicou que partiu da pena mínima prevista para o crime de homicídio simples e analisou as circunstâncias judiciais previstas no Código Penal.

Na sentença, a juíza destacou que o acusado aplicou golpes de faca em regiões vitais da vítima, inclusive nas costas, provocando sua morte por choque hemorrágico. Também considerou que a violência empregada, a quantidade de ferimentos e a continuidade das agressões mesmo após o acusado tomar para si o canivete utilizado por Paola tornaram a conduta mais grave.

A magistrada ainda reconheceu agravantes como o motivo fútil, relacionado à recusa em pagar o valor combinado pelo programa, o recurso que dificultou a defesa da vítima e a crueldade demonstrada pela quantidade de golpes.

Como circunstância, foi considerada a confissão qualificada do réu, apresentada juntamente com a alegação de legítima defesa.

Com isso, Yago Roger foi condenado a 12 anos, 10 meses e 8 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado. A juíza também determinou a execução imediata da pena, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) para condenações do Tribunal do Júri, mantendo a prisão do réu e negando o direito de recorrer em liberdade.

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Além disso, foi determinada a destruição da arma branca utilizada no crime, a devolução do celular da vítima aos familiares e dos aparelhos celulares do condenado ao próprio réu, por não serem considerados instrumentos ou produtos do crime.

Familiares acompanharam o julgamento

Desde o início da manhã, familiares, amigos e pessoas próximas de Paola permaneceram em frente ao Fórum de Ananindeua com cartazes e pedidos de justiça.

Em entrevista exclusiva concedida por mensagem ao Estado do Pará Online (EPOL), a irmã de Paola Brattcho afirmou que a família recebeu a decisão com indignação e que pretende recorrer da sentença. Em um dos trechos enviados à reportagem, ela desabafou sobre o resultado do julgamento:

“A gente tá arrasado, a gente vai recorrer, a gente não concorda. Estamos exaustos. É muito injusto”.

Na mensagem encaminhada ao EPOL, ela também criticou a decisão do Tribunal do Júri e afirmou que, na visão da família, a sentença representa um sentimento de desvalorização das vidas de pessoas trans.

“A vida trans não vale absolutamente nada. Hoje tivemos essa certeza. Doze anos é o que vale uma vida trans, um assassinato tão cruel, tão brutal”, declarou.

Entenda o caso

O crime aconteceu na noite de 28 de fevereiro de 2025, em um motel localizado no bairro Águas Lindas, em Ananindeua. Paola Brattcho, de 29 anos, era influenciadora digital e acumulava cerca de 25 mil seguidores nas redes sociais.

Segundo a investigação, Yago Roger chegou ao motel por volta das 17h05. Paola entrou no estabelecimento aproximadamente às 18h30. Uma testemunha afirmou que, cerca de 30 minutos depois, ouviu pedidos de socorro vindos do quarto. Conforme o depoimento, a vítima gritava que o homem queria matá-la. Após alguns minutos de silêncio, o próprio acusado ligou para a recepção solicitando ajuda.

Quando policiais chegaram ao local, Paola ainda estava com vida. De acordo com relatos da defesa, ela pedia água e tentou caminhar até a pia do banheiro, mas não resistiu aos ferimentos e morreu antes da chegada da equipe de socorro.

O laudo pericial apontou que a influenciadora sofreu 26 golpes de arma branca, sendo três nas costas e os demais concentrados entre o pescoço e o tórax. Já Iago Roger apresentava quatro ferimentos nas pernas e no abdômen. Segundo amigos da vítima e as investigações, a discussão teria começado após um desacordo sobre o pagamento de um programa.

Após o crime, o acusado foi levado ao Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), onde permaneceu sob custódia policial. Posteriormente, ele deixou a unidade hospitalar sem autorização e foi localizado dias depois na casa de um tio, em Ananindeua, onde acabou preso novamente.

A morte de Paola Brattcho gerou grande repercussão nas redes sociais e mobilizou familiares, amigos e movimentos sociais, que acompanharam o caso desde o início das investigações até o julgamento realizado nesta sexta-feira.

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