O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado Federal, é um dos alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (18).
Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão contra o parlamentar em uma ação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A nova etapa da investigação apura um suposto esquema de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo gestores e operadores do Banco Master e o núcleo político do senador.
Vantagens econômicas
De acordo com a representação policial, foram identificados elementos robustos que indicam o recebimento de vantagens econômicas indevidas por Jaques Wagner, operacionalizadas de forma direta ou por intermédio de familiares e pessoas de confiança.
Entre os eixos da investigação criminal está a suposta propina na aquisição do apartamento nº 1.702 do empreendimento de luxo Poème Horto, em Salvador, avaliado em R$ 2,45 milhões, que teria sido comprado por meio de uma empresa interposta para ocultar o senador como beneficiário real. Além disso, a PF mapeou uma transferência de R$ 3,5 milhões à empresa BN Financeira Ltda., associada ao enteado do parlamentar, Eduardo Mendonça Sodré Martins.
Em contrapartida aos repasses financeiros e benesses – que incluíam o uso gratuito de aeronaves particulares e ingressos de camarote para shows internacionais -, a PF aponta que Jaques Wagner exerceu forte atuação parlamentar em temas de interesse direto do Banco Master.
A investigação cita a apresentação de emendas em projetos de lei sobre a elevação da margem de crédito consignado, tentativas de alteração na cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e ações de controle político sobre a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Na decisão judicial assinada na noite de ontem (17), o ministro relator André Mendonça determinou uma série de medidas cautelares severas para blindar as fontes de prova e evitar o alinhamento de versões. O STF proibiu Jaques Wagner e seu núcleo familiar de manter qualquer tipo de contato com os demais investigados, com corretores ou com funcionários da Construtora Moura Dubeux.
O ministro decretou ainda o recolhimento de passaportes e o impedimento de saída do país dos demais alvos operacionais, além de ordenar o fechamento provisório e a suspensão total das atividades econômicas e financeiras das empresas envolvidas no fluxo de capitais.
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