Durante o Junho Laranja, campanha voltada à conscientização sobre doenças hematológicas, a atenção se volta para a importância do diagnóstico precoce da anemia e da leucemia. Apesar de serem condições diferentes, ambas ainda geram dúvidas na população e podem apresentar sintomas iniciais que acabam sendo ignorados.
Segundo o hematologista Dr. Marcus Laércio, do Centro de Tratamento Oncológico (CTO), um dos principais desafios é identificar sinais que muitas vezes são associados apenas ao cansaço do dia a dia.
“Muitas pessoas associam cansaço, fraqueza ou palidez apenas à rotina intensa. Mas, quando esses sinais persistem ou aparecem acompanhados de infecções frequentes, sangramentos ou perda de peso, é importante investigar”, explica o especialista.
Anemia e leucemia têm diferenças importantes
A anemia está entre as alterações hematológicas mais comuns e ocorre quando há redução da hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no organismo. A deficiência de ferro é uma das causas mais frequentes, mas o quadro também pode estar relacionado a inflamações, alterações genéticas e doenças da medula óssea.
Já a leucemia é um tipo de câncer que afeta a medula óssea e compromete a produção normal das células do sangue. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença deve registrar 12.220 novos casos por ano no Brasil no triênio 2026–2028.
A leucemia pode ser classificada como linfoide ou mieloide, conforme a célula sanguínea afetada, e também como aguda ou crônica, de acordo com a velocidade de evolução da doença.
Nas formas agudas, a progressão costuma ser mais rápida e o tratamento precisa ser iniciado de forma imediata. Já as formas crônicas apresentam evolução mais lenta e podem ser controladas por períodos prolongados com acompanhamento médico e terapias específicas.
“Hoje existem tratamentos muito mais direcionados. Algumas leucemias crônicas conseguem ser controladas por muitos anos, enquanto diversos casos agudos apresentam boas taxas de resposta e até possibilidade de cura quando o diagnóstico ocorre precocemente”, afirma Marcus Laércio.
Anemia pode virar leucemia?
Um dos principais mitos relacionados às doenças hematológicas é a ideia de que a anemia pode evoluir para leucemia. De acordo com o hematologista, essa relação não existe.
“A anemia não vira leucemia e não causa câncer no sangue. O que pode acontecer é a leucemia se manifestar inicialmente por um quadro anêmico, porque a medula óssea deixa de produzir as células sanguíneas adequadamente”, esclarece.
Isso acontece porque alterações na medula óssea provocadas pela leucemia podem comprometer a produção de células do sangue, levando a sinais semelhantes aos observados em alguns casos de anemia.
Sintomas devem ser investigados
Os sinais da anemia podem incluir cansaço, fraqueza, palidez, falta de ar durante esforços, tontura, dor de cabeça, palpitações e dificuldade de concentração.
Nos casos de leucemia, alguns sintomas de alerta são infecções frequentes, febre persistente, manchas roxas ou sangramentos sem causa aparente, perda de peso involuntária, dores ósseas ou articulares e aumento dos gânglios linfáticos, conhecidos popularmente como ínguas.
Como esses sinais também podem estar presentes em outras condições de saúde, a persistência dos sintomas deve ser avaliada por um profissional.
Hemograma é um dos primeiros exames para investigação
O diagnóstico de alterações hematológicas começa com avaliação clínica e exames laboratoriais. O hemograma é um dos principais exames utilizados para identificar mudanças nas células sanguíneas e pode indicar a necessidade de investigações complementares.
Em alguns casos, exames específicos e análise da medula óssea podem ser necessários para confirmar o diagnóstico.
Para Marcus Laércio, um dos problemas mais comuns é tentar tratar sintomas sem investigar a origem.
“O hemograma é um exame simples, acessível e frequentemente o primeiro passo para identificar alterações importantes. Quanto mais cedo acontece o diagnóstico, maiores tendem a ser as chances de um tratamento bem-sucedido”, afirma.
Cuidados e prevenção
Embora não exista uma forma específica de prevenir a leucemia, manter hábitos saudáveis, realizar acompanhamento médico e observar sinais persistentes do organismo são medidas importantes.
Alguns tipos de anemia podem ser evitados com alimentação equilibrada e acompanhamento adequado.
“Não é motivo para alarme, mas para atenção. A persistência dos sintomas é um sinal de que o organismo precisa ser investigado”, finaliza o hematologista.
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