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Família denuncia negligência com bebê de dois meses no Hospital Abelardo Santos

Por diogenesbrandao • 23/05/2026 às 15:04 • 4 min

Uma recém-nascida de apenas dois meses, identificada como Athena Monteiro Fráguas, está há quatro dias internada em estado grave no Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), no distrito de Icoaraci em Belém, sem diagnóstico e sofrendo quedas severas de saturação de oxigênio. A família, que veio transferida do município de Vigia, denuncia que a criança quase morreu na porta do hospital após a equipe médica recusar o atendimento inicial de emergência, mesmo com o bebê sofrendo paradas cardíacas dentro da ambulância.

A saga da família começou em Vigia, quando o médico local ordenou a transferência imediata de Athena para Belém, alertando que a estrutura municipal não seria suficiente para mantê-la viva.

Durante o trajeto na ambulância, de vígia pra Belém, a saturação da menina despencou para níveis críticos. A equipe que acompanhava a transferência precisou parar emergencialmente em um hospital em Santo Antônio do Tauá para aplicar adrenalina na criança, que já desfalecia.

Mesmo com a equipe da ambulância seguindo os protocolos e alertando que a paciente precisava entrar imediatamente na Sala Vermelha para estabilização, a recepção do Hospital Abelardo Santos recusou o atendimento alegando falta de leitos. De acordo com os relatos, a recusa ocorreu enquanto o oxigênio da ambulância zerava.

Para salvar a vida da filha, os pais precisaram correr até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Icoaraci, onde os profissionais improvisaram um leito para reanimar a criança. Após ser estabilizada na UPA, a equipe plantonista forçou o retorno da bebê ao Abelardo Santos – que possui perfil de “portas abertas” para casos graves de pediatria -, conseguindo a internação apenas na madrugada seguinte.

Quatro dias após dar entrada no HRAS, a situação de Athena continua crítica. O pai da criança, Bruno Fráguas, relata que a filha sofre com crises constantes onde a saturação cai para 80%, necessitando de oxigenoterapia contínua.

Ele denuncia que o hospital não realiza os procedimentos adequados, limitando-se a injetar soro, sem fazer a aspiração necessária das vias aéreas ou fornecer um diagnóstico definitivo.

Além da falta de assistência médica especializada, a família enfrenta um “festival de horrores” na estrutura do hospital:

Insalubridade: O lixo do quarto acumula-se por dias e o chão não é limpo. A mãe da criança precisou recolher os resíduos por conta própria.

Falta de Leito: A mãe e o bebê estão acomodadas em uma sala de espera, sem direito a uma cama hospitalar adequada.

Risco de contaminação: O hospital não está fornecendo o leite do lactário em tempo hábil. Os próprios pais precisam comprar e preparar a fórmula infantil no quarto, de forma precária e sem a esterilização adequada, gerando risco de infecção bacteriana na recém-nascida.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) informou que a paciente deu entrada no Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS) na última quinta-feira (21), encaminhada pelo município, mesmo sem regulação prévia. Segundo a pasta, a equipe médica realizou o atendimento, os exames necessários e garantiu acomodação para permanência na unidade. A Sespa afirmou ainda que a paciente segue internada em leito hospitalar, acompanhada por equipe multiprofissional e recebendo todos os cuidados necessários, incluindo assistência nutricional para recuperação do quadro de saúde.

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