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Empresário preso pela PF recebeu R$ 3,8 milhões da Prefeitura de Ananindeua, durante gestão de Daniel Santos

Por diogenesbrandao • 20/06/2026 às 14:07 • 7 min

A prisão em flagrante do empresário Ady dos Santos Monteiro, proprietário da Distriben Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e Hospitalares, acrescenta um novo capítulo às investigações envolvendo contratos da área da saúde firmados durante a gestão do ex-prefeito de Ananindeua e pré-candidato ao Governo do Pará, Daniel Santos (PODEMOS).

Documentos da Polícia Federal apontam que a Prefeitura de Ananindeua e o Fundo Municipal de Saúde de Ananindeua aparecem diversas vezes como origem de recursos pagos à empresa DISTRIBEN Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e Hospitalares Ltda., investigada no âmbito da operação da Polícia Federal.

Prefeitura de Ananindeua é o maior remetente de recursos à empresa investigada pela PF

O relatório da PF afirma que a DISTRIBEN recebeu aproximadamente R$ 22,5 milhões em recursos públicos municipais do Pará. Entre os principais remetentes aparece o Fundo Municipal de Saúde de Ananindeua, que teria destinado cerca de R$ 3,8 milhões à empresa entre 2020 e 2025, período em que a administração municipal passou a ser alvo de investigações sobre supostos desvios de recursos públicos, favorecimento empresarial e irregularidades em contratos da saúde.

A investigação que resultou na prisão em flagrante apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa.

Empresário foi preso com fiscal de contratos

Ady dos Santos Monteiro foi preso ao lado do fiscal de contratos da Secretaria Municipal de Saúde de Ananindeua, Francisco Almir de Lima Neto, durante uma ação da Polícia Federal na última quinta feira (18).

Segundo as investigações, os dois foram abordados transportando R$ 310 mil em dinheiro em espécie, quantia cuja origem e destinação são apuradas pelos investigadores. A Polícia Federal investiga a possível prática dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa.

Porém, na última sexta-feira (19), a Justiça Federal do Pará concedeu liberdade, a Francisco Almir de Lima Neto, ele responderá ao processo em liberdade. Já o empresário Ady dos Santos Monteiro, ainda aguardamos retorno da defesa pra saber se ele continua preso ou se também já ganhou a liberdade.

Empresa recebeu milhões da Saúde de Ananindeua

Os documentos analisados pela Polícia Federal indicam que a Distriben manteve contratos com a Prefeitura de Ananindeua e recebeu cerca de R$ 3,8 milhões do Fundo Municipal de Saúde entre 2020 e 2025, período correspondente à gestão de Daniel Santos.

Agora, os investigadores analisam a execução desses contratos e a eventual relação entre os pagamentos realizados pelo município e os fatos investigados na operação da Polícia Federal.

O caso chama atenção porque os repasses ocorreram justamente em um período marcado por investigações envolvendo a aplicação de recursos públicos na saúde municipal.

Saúde sob investigação

O novo episódio reforça questionamentos antigos sobre a condução da saúde pública durante a administração de Daniel Santos.

Nos últimos anos, órgãos de controle e o Ministério Público passaram a investigar contratos, compras hospitalares e repasses de recursos públicos destinados ao Hospital Santa Maria de Ananindeua, unidade privada historicamente ligada ao ex-prefeito.

As apurações analisam suspeitas de superfaturamento, possíveis desvios de recursos públicos e favorecimento contratual envolvendo verbas destinadas ao atendimento da população.

Relatórios e representações encaminhadas aos órgãos de controle apontaram indícios de pagamentos milionários à unidade privada enquanto a rede pública municipal enfrentava dificuldades estruturais e operacionais, levantando suspeitas sobre a destinação dos recursos da saúde.

Gestão acumula investigações

O episódio se soma a outras investigações envolvendo a gestão do ex-prefeito de Ananindeua.

Em 2025, a Operação Hades, conduzida pelo Ministério Público do Pará, resultou no afastamento cautelar de Daniel Santos e teve como alvo suspeitas de fraude em licitações, corrupção e favorecimento empresarial em contratos públicos milionários.

As investigações alcançaram setores estratégicos da administração municipal e permanecem em andamento. O novo caso amplia a pressão sobre o histórico de contratação de empresas pela Prefeitura de Ananindeua e sobre a aplicação de recursos públicos, especialmente na área da saúde.

Espaço aberto

Até a publicação desta reportagem, mesmo procurado, Daniel Santos não havia se manifestado sobre a investigação envolvendo o empresário, nem sobre os contratos firmados entre a Prefeitura de Ananindeua e a Distriben.

Também não havia posicionamento público de Ady dos Santos Monteiro, de Francisco Almir de Lima Neto ou da Distriben acerca das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Em nota, a Prefeitura de Ananindeua nega qualquer associação ao caso citado e defende que as informações apuradas são uma “narrativa mentirosa” e afirma que todos os contratos com seus fornecedores foram firmados e são utilizados dentro da lei.

Apesar da negativa da Prefeitura de Ananindeua, as informações publicadas por nosso jornalismo foram baseadas em documentos oficias sobre a investigação que resultou nas prisões pela Polícia Federal, baseadas em dados coletados por diversos órgãos públicos, como:

Conselho de Controle de Atividades Financeiras: responsável pelos Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) que deram origem às apurações sobre movimentações financeiras consideradas atípicas.

Polícia Federal: responsável pela investigação e pela prisão em flagrante dos investigados.

Ministério Público Federal: atua como fiscal da lei no processo.

Controladoria-Geral da União: produziu notas técnicas apontando indícios de sobrepreço, fraude em licitações e irregularidades envolvendo contratos da saúde. A PF também requisitou compartilhamento de informações da chamada Operação Hígia.

O Processo que cita a Prefeitura de Ananindeua com a empresa acusada de participar do esquema de corrupção que resultou na prisão de um dos seus sócios, foi a referência para a produção da matéria jornalística do EPOL.

Órgãos do Judiciário e sistema de Justiça

  • Justiça Federal da 1ª Região
  • 3ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Pará
  • Defensoria Pública da União (citada para eventual assistência aos presos).

Órgãos e entes públicos municipais mencionados

  • Município de Capanema – porque o fiscal de contratos preso é servidor municipal e a PF requisitou informações sobre os contratos fiscalizados por ele.
  • Fundos Municipais de Saúde de diversos municípios do Pará são mencionados como origem de recursos que chegaram à empresa investigada.

Órgãos federais da área da saúde

  • Fundo Nacional de Saúde – citado como origem dos recursos federais do SUS repassados aos municípios e que, segundo a investigação, teriam financiado contratos da área da saúde.
  • Sistema Único de Saúde – mencionado como fonte original dos recursos federais analisados pela PF.

Outros órgãos citados

  • Instituto Médico Legal – para realização de exame de corpo de delito nos presos.
  • Caixa Econômica Federal – indicada para eventual depósito judicial dos valores apreendidos.

O que mais chama atenção no documento

A PF sustenta que os recursos investigados possuem forte concentração em verbas públicas da saúde, especialmente oriundas de Fundos Municipais de Saúde e de repasses federais vinculados ao SUS. O documento também informa que a CGU já possuía notas técnicas apontando possíveis irregularidades em contratações envolvendo a empresa DISTRIBEN e que os relatórios do COAF foram fundamentais para identificar os saques em espécie e o fluxo financeiro considerado suspeito.

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