A Dívida Pública brasileira ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 9 trilhões, após registrar crescimento de 2,66% em maio. Os dados foram divulgados na última sexta-feira (26) pelo Tesouro Nacional e mostram que o estoque passou de R$ 8,798 trilhões para R$ 9,033 trilhões em apenas um mês.
O avanço foi impulsionado principalmente pela forte emissão de títulos públicos vinculados à Taxa Selic, que também contribuíram para elevar a participação desses papéis na composição da dívida federal.
Somente em maio, o Tesouro emitiu R$ 166,23 bilhões em títulos, o maior volume já registrado para o mês desde o início da série histórica. No mesmo período, os resgates somaram R$ 30,62 bilhões, enquanto a emissão líquida ficou em R$ 135,61 bilhões.
Outro fator que pressionou o estoque foi a apropriação de R$ 94,17 bilhões em juros, mecanismo que incorpora mensalmente os encargos incidentes sobre os títulos públicos. O cenário é influenciado pela Selic em 14,25% ao ano, que aumenta o custo da dívida.
Apesar da alta, o montante permanece dentro da projeção do Plano Anual de Financiamento (PAF). A expectativa do governo é que o estoque da dívida encerre 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
A dívida interna, formada por títulos públicos negociados no mercado nacional, atingiu R$ 8,692 trilhões, enquanto a parcela externa avançou para R$ 340,49 bilhões, influenciada pela valorização de 1,37% do dólar em maio.
A reserva financeira utilizada para garantir o pagamento dos vencimentos também cresceu. Conhecido como colchão da dívida, o montante passou de R$ 1,091 trilhão para R$ 1,211 trilhão, o maior nível desde novembro de 2025, suficiente para cobrir pouco mais de nove meses de vencimentos.
Na distribuição dos investidores, instituições financeiras seguem como as maiores detentoras dos títulos, com 31,54% do estoque. Em seguida aparecem os fundos de pensão (22,92%), fundos de investimento (21,74%) e os investidores estrangeiros (10,14%), cuja participação diminuiu em relação ao mês anterior.
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