O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, recebeu na manhã desta sexta-feira (19) o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Pará (UFPA), a mais alta distinção honorífica concedida pela instituição. A cerimônia ocorreu no Centro de Eventos Benedito Nunes, em Belém, e reuniu autoridades do meio jurídico, acadêmico e político.

Entre os presentes estavam a ex-governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, o ex-prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, parlamentares, representantes do Judiciário, professores, estudantes e integrantes de movimentos sociais. Durante a solenidade, o ministro também foi homenageado com registros históricos relacionados à passagem de seu avô, Nicolau Dino, pela capital paraense no início do século XX.

A concessão do título foi aprovada pelo Conselho Universitário da UFPA por proposição do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ). A homenagem reconhece a trajetória acadêmica, jurídica e política de Flávio Dino, que já recebeu a mesma honraria da Universidade Federal do Maranhão e da Universidade Federal de Pernambuco.
Ao apresentar o memorial do homenageado, a diretora-geral do Instituto de Ciências Jurídicas, Valena Jacob Chaves, destacou a carreira construída por Dino ao longo de mais de três décadas. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão, ele ingressou na magistratura federal em 1994 após ser aprovado em primeiro lugar em concurso público. Atuou como juiz federal, secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça, presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e professor universitário, além de ter exercido mandatos como deputado federal, governador do Maranhão, senador da República, ministro da Justiça e, atualmente, ministro do STF.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, recebeu na manhã desta sexta-feira (19) o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Pará (UFPA), a mais alta distinção honorífica concedida pela instituição. pic.twitter.com/3mVE131sVI
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Em seu discurso, Flávio Dino relacionou a homenagem à sua história familiar e à ligação construída com a Amazônia ao longo da vida. O ministro relembrou que seu avô saiu de Itacoatiara, no Amazonas, para estudar em Belém há mais de um século, antes de seguir para o Maranhão, onde construiu carreira na magistratura.
“Essa solenidade tem múltiplos sabores. Ela resgata uma trajetória que se iniciou há 110 anos, quando meu avô saiu de Itacoatiara e veio para o Pará. Tenho uma relação com este estado de muita admiração e afeto”, afirmou.
Ao longo da fala, Dino destacou a Amazônia como um espaço de celebração da vida e defendeu a proteção da floresta, dos povos amazônicos e da democracia. Segundo ele, a defesa da vida deve orientar tanto a atuação institucional quanto as decisões políticas e jurídicas.

“A Amazônia deve ser vista, sobretudo, como um espaço de celebração da vida. A vida que está presente nas florestas, nos rios, nas pessoas e também nos sonhos. A esperança é um chamamento à vida”, declarou.
O ministro também enfatizou a relação entre democracia e justiça social, afirmando que ambas são inseparáveis. Para ele, a democracia não pode ser reduzida a um mecanismo formal de escolha política, mas deve ser compreendida como instrumento para garantir dignidade e igualdade.
“A democracia não é um adereço jurídico formal. É um arranjo organizativo que tem por objetivo garantir dignidade, bem-estar e justiça. E nós, brasileiros e brasileiras, precisamos qualificar essa dimensão da justiça. É a justiça social”, disse.
Outro tema abordado foi a defesa da República e do combate à criminalidade. Dino ressaltou a importância do respeito aos recursos públicos e da aplicação da lei a todos os setores da sociedade.
“O respeito ao dinheiro público significa respeito ao dinheiro das crianças que precisam de merenda, dos pacientes que precisam de atendimento e dos estudantes que dependem da universidade pública para realizar seus sonhos”, afirmou.
O reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, destacou que a homenagem reconhece uma trajetória marcada pela coerência entre pensamento e ação. Segundo ele, a atuação de Flávio Dino em defesa da democracia, da Amazônia e das instituições públicas dialoga diretamente com os valores defendidos pela universidade.
“A Universidade Federal do Pará não concede o título de Doutor Honoris Causa por protocolo ou conveniência. Ele é reservado àqueles cuja trajetória se torna referência para as gerações futuras”, afirmou o reitor.
Ao encerrar o discurso, Dino reforçou seu compromisso com a educação, a ciência e a defesa da liberdade. Também alertou para os desafios impostos pelas transformações tecnológicas e pela disseminação de modelos que, segundo ele, podem comprometer a autonomia humana.
“Dedico minha vida não ao poder. O poder é instrumento. Dedico minha vida ao serviço e às causas. E o fio condutor que dá sentido a essa trajetória é a celebração, a proteção e a promoção da vida”, concluiu.
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