O dia 18 de junho ganha um significado especial para a música paraense. Na mesma data em que Dona Onete celebra mais um ano de vida, a Banda Miriti apresenta uma homenagem à artista que se tornou uma das principais referências da cultura amazônica. A releitura de uma das músicas da cantora, que completa 10 anos em 2026, ganha também uma representação visual ligada ao território: o clipe foi gravado no Ver-o-Peso, um dos símbolos culturais de Belém, em um registro espontâneo que acompanha a banda pelo espaço e reforça a conexão entre música, memória e identidade paraense.
Dona Onete e a força de uma tradição que continua viva
Conhecida como Rainha do Carimbó, Dona Onete construiu uma carreira marcada pela valorização das histórias, ritmos e sonoridades da Amazônia. Com uma maneira própria de interpretar o carimbó, a artista ajudou a levar a música paraense para diferentes públicos, mostrando que tradição e renovação podem caminhar juntas.
É justamente essa capacidade de transformar referências regionais em uma linguagem contemporânea que aproxima a trajetória de Dona Onete da proposta da Banda Miriti. Segundo o baixista Augusto Pantoja, a escolha da música surgiu a partir da própria identidade construída pelo grupo desde os primeiros momentos.
“A gente já tinha essa proposta de fazer uma coisa que misturasse os ritmos regionais do Pará. A gente colocava brega, carimbó, de tudo um pouco ali. Fomos escolhendo músicas mais clássicas e que também desse para fazer uma adaptação. Dona Onete foi uma das que mais casou”, explicou.
Da tradição paraense ao rock: a busca por uma nova linguagem
A relação da Miriti com essa ideia de renovação cultural também passa por outras referências da música brasileira. Entre elas está Chico Science, artista que transformou elementos da cultura pernambucana em uma nova linguagem através do manguebeat. Para Augusto, a inspiração está justamente nesse movimento de olhar para a própria origem e criar algo novo a partir dela.
“A ideia veio muito disso: fazer a mesma coisa, só que com a nossa cultura, com a nossa linguagem”, afirmou o músico.
A partir dessa proposta, a banda buscou transformar a obra de Dona Onete sem perder a essência que tornou sua música reconhecida. O processo de adaptação levou elementos do carimbó para uma sonoridade marcada por guitarras distorcidas, energia do rock e referências do punk e do hardcore.
Segundo Augusto, a construção da versão aconteceu de maneira experimental dentro do estúdio, com a banda testando diferentes caminhos até encontrar o equilíbrio entre os dois universos.
“Foi a gente vendo o que funcionava, colocando mais carimbó em algumas partes, mais rock em outras. Foi acontecendo de forma muito espontânea”, contou.
Uma música de 10 anos que encontra uma nova geração
Além de representar uma homenagem, a nova versão também carrega um simbolismo de tempo. A música escolhida pela Miriti completa 10 anos em 2026 e agora ganha uma nova leitura pelas mãos de uma geração que cresceu tendo a cultura paraense como referência.
Para a banda, a releitura também é uma forma de apresentar Dona Onete para novos ouvintes, aproximando pessoas que talvez ainda não conheçam o carimbó ou a obra da artista.
“A gente tenta trazer um público novo que já conhece a música original para conhecer as nossas músicas, mas também pessoas que talvez não conheçam carimbó, não conheçam Dona Onete, conhecer a partir da gente, a partir do rock”, explicou Augusto.
O encontro entre a Miriti e Dona Onete também ganhou uma representação visual ligada ao território. O clipe da homenagem foi gravado no Ver-o-Peso, um dos símbolos culturais de Belém, acompanhando a banda em uma experiência mais espontânea, próxima de um registro documental.
No fim, a homenagem funciona como um encontro entre diferentes momentos da música paraense: de um lado, uma artista que ajudou a construir e projetar a identidade sonora da Amazônia; do outro, uma nova geração que busca continuar esse movimento, transformando tradição em novas possibilidades.
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