A Prefeitura de Belém instituiu um novo fluxo de atendimento imediato para a população LGBTQIAPN+ em situação de extrema vulnerabilidade social nesta sexta-feira (3). O mecanismo, oficializado no Palácio Antônio Lemos, visa amparar indivíduos que sofrem com rejeição familiar, falta de moradia e violência urbana na capital paraense. A iniciativa emergencial antecede a inauguração oficial da Casa de Acolhimento definitiva, garantindo assistência contínua e humanizada para o segmento.
A Secretaria Municipal de Políticas Públicas e Bem-Estar Social (Sepes), em parceria com a Fundação Papa João XXIII (Funpapa), coordena as ações da nova rede protetiva. A gestão atual reorganizou os trâmites administrativos e corrigiu falhas em convênios federais antigos para viabilizar os recursos necessários ao projeto. De acordo com a titular da Sepes, Bruna Lorrane, o acolhimento passa a ser imediato para impedir o desamparo social da comunidade.
A cooperação técnica interna promete otimizar o acesso das vítimas aos programas de assistência social e acompanhamento especializado do município. “A Funpapa estará de portas abertas para acolher quem precisar”, destacou a presidente da fundação, Edna Gomes, reafirmando o compromisso com a justiça social. O atendimento integrado busca reestruturar a autonomia dos cidadãos assistidos por meio de suporte psicológico, jurídico e social.
Lideranças dos movimentos sociais locais participaram ativamente do desenvolvimento do protocolo, moldando as diretrizes conforme as demandas reais da região. Para Bárbara Pastana, presidente do Gretta, o dispositivo representa uma vitória histórica contra a marginalização que afeta sobretudo travestis e transexuais. A ativista declarou que a ação governamental traz esperança e caminha na direção certa ao assegurar a dignidade humana.
A DJ Márcia Passos, representante do movimento Lesbi Pará, também celebrou a conquista histórica e ressaltou a agilidade da administração em tirar o projeto do papel. “Hoje, a Prefeitura abre essa porta para a nossa população, demonstrando sensibilidade e compromisso com quem mais precisa de proteção”, pontuou a líder comunitária. A sociedade civil organizada enxerga o ato como o começo de uma nova era para os direitos humanos no município.
O programa é direcionado a maiores de 18 anos e estipula uma permanência inicial de até três meses sob os cuidados de equipes multiprofissionais. A triagem dos beneficiários ocorrerá tanto por busca espontânea quanto por encaminhamentos de órgãos públicos e entidades parceiras credenciadas. Com essa medida, o governo municipal busca preencher uma lacuna histórica na assistência social e combater os índices regionais de exclusão.
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